1989 - The Amazon
Para comemorar o 10º aniversário, nada seria
mais apropriado do que retornar, uma vez mais, ao local onde tudo começou:
a selva Amazônica. A invejável reputação internacional
do evento deveria ser celebrada em conformidade. Por isso mesmo, a época
escolhida para a realização desta edição
coincidiu, propositadamente, com o pico da época das chuvas. Nessa edição, também contamos com uma representação brasileira, formada pelos pilotos Ricardo Simonson e Alfonso Celso-Baldrati
O trajeto ligou Alta Floresta, em Mato Grosso, a Manaus. Um percurso que, segundo os habitantes locais, não era possível de ser completado durante a altura das fortes chuvas que se abatiam naquela zona. Chegaram, mesmo, a ser feitas apostas sobre o sucesso do evento, com probabilidades bastante baixas.
Após a partida, em Alta Floresta, a caravana seguiu pela “auto-estrada” BR163, que faz a ligação à Rodovia Transamazônica, perto de Itaituba. Daí, seguiram para leste, percorrendo cerca de 50km da “Auto-estrada das Lágrimas”. Subiram, depois, para Norte, percorrendo a última secção da BR163, até chegar a Santarém. A ligação de Santarém a Itaparanga (cerca de 500km), na margem Norte do rio Amazonas, foi feita de barco, carregando todas os carros desta edição. Após o desembarque, os carros percorreram o difícil caminho até Manaus, sendo esse o seu destino final. A edição de 1989 do Camel Trophy ficou na história do evento, como sendo uma das mais duras e exigentes. A auto-estrada Transamazônica não apresenta grandes dificuldades durante a época seca, quando é atravessada por grandes caminhões. Mas com a chegada das chuvas, tudo muda radicalmente. Os caminhos transformam-se em autêntico barro, chamado de Durepox pelos habitantes locais. Os condutores que tentaram desafiar as primeiras chuvas, rapidamente se dão por vencidos. Os seus caminhões ficam presos no barro, impossíveis de remover devido ao seu elevado peso. Não lhes resta outra opção, senão deixar os carros atolados no meio da estrada e aguardar pela próxima época seca, que só chegará após cinco meses.
Dia e noite, as 14 equipes participantes (que tiveram a companhia de mais um país estreante: a Iugoslávia) lutaram contra o pesadelo da estrada lamacenta. A progressão foi bastante lenta, havendo alguns dias em que a caravana apenas conseguiu avançar 2 ou 3 km. Um dia, em particular, chegou ao absurdo de se conseguir percorrer apenas 800 metros em 24 horas... e foi necessário recorrer à ajuda de um trator equipado com um grande guincho! Difícil acreditar em um progresso assim, em se tratando de uma "estrada" Mas são estas dificuldades que, inexplicavelmente, nos fazem admirar tanto o evento e os seus participantes. Por isso mesmo, esta edição é considerada, pelos admiradores do Camel Trophy, como uma das melhores de sempre!
(conteúdo baseado em dados coletados em: Camel Trophy Owners Club; CamelTrophy.es, cameltrophyportugal.com; camel-trophy.nl e publicações da época.) © 2007 Camel Trophy Brasil
|