1987 - Madagascar
Madagascar foi o destino escolhido para a edição de 1987 do Camel Trophy. Localizada no Oceano Índico, ao largo da costa de Moçambique, possui uma grande variedade de condições de clima, terreno e paisagem, bem como de fauna e flora. Com um clima muito variado, úmido a nordeste (onde existem áreas de floresta tropical) e seco a sudoeste (chegando mesmo a haver deserto), foi mais um palco ideal para os desafios propostos aos participantes. Para esta edição, os participantes foram escolhidos entre mais de meio milhão de escritos. Todos ávidos em participar desta emocionante aventura, que como sempre exigia resistência física, intuição e companheirismo - filosofia do Camel Trophy - os selecionados reuniram-se no hotel Milton de Antananarivo, onde se estabeleceu o centro de operações da organização da prova. Durante a reunião com os participantes, foi comunicado que esta seria a edição mais dura da historia, devido ao difícil clima tropical e as duras condições geográficas da ilha (na sombra a temperatura ultrapassava os 38 graus e os corpos se convertiam em rios de suor -quase houve uma desistência entre as equipes devido a transtornos intestinais causados pelo calor-) A partida foi dada a 26 de Março em Antsiranana, no Norte da ilha. Os participantes foram calorosamente recebidos pelos habitantes locais. Desta vez os protagonistas eram outros - os Range Rover. No entanto,
o modelo escolhido, de 5 portas, era alimentado pelo novo motor 2.4 TD,
fabricado pela italiana VM Motori (os participantes tiveram a chance
de testar com antecedência os novos modelos no campo de provas
da Land Rover em Eastnor Castle).
Um total de 21 veículos, 14 de participantes e 7 de equipes de apoio, iniciou a sua viagem de 18 dias e cerca de 2250km, que terminaria na ponta oposta da ilha, em Fort Dauphin, no Sul. A presença ilustre dos brasileiros Gilberto Castro e Paulo Bergamaschi dava mais emoção a prova. Pela primeira vez, os elementos da imprensa que cobriram o evento, puderam acompanhar os participantes nos seus veículos. As jornadas iniciais decorreram sem grandes dificuldades, fazendo a caravana avançar rapidamente até ao interior do país, onde encontraram uma vegetação cada vez mais densa. A isto, somam-se as dificuldades de caminhos destruídos pelas recentes chuvas e ataques constantes de mosquitos.
Três dias após a partida, a 29 de Março, a caravana chega a Antsohihy, onde se realiza a primeira Tarefa Especial. Esta consistia em percorrer uma distância de 80 metros de lama, em menos de 4 minutos. A equipe Britânica foi a vencedora. Depois de 600km, começaram os verdadeiros obstáculos:
buracos de lama com mais de 1 metro de profundidade, precipícios,
caminhos fechados pela densa floresta, etc. A equipe Francesa partiu
o diferencial. A grade do bagageiro da equipe das Ilhas Canárias
soltou-se num grande desnível e os galões de água
e combustível caíram na lama.
Já perto de Mandritsara foi realizada a segunda Tarefa Especial. Foi uma típica prova de orientação contra relógio, onde era necessário percorrer, durante a noite, uma distância de 40km. A equipe vencedora foi a dos Estados Unidos da América. O dia seguinte foi acompanhado de novas chuvas, que destruíram
caminhos e pontes, tendo as equipes de dedicar algum tempo à construção
de pontes improvisadas com troncos. No entanto, nem sempre isso foi possível.
Uma das travessias necessárias chegava aos 200 metros, tendo obrigado
os participantes a procurar alternativas, para chegar a Andilamena.
Nesta altura, o carro da equipe médica sofreu um grave acidente, capotando. Devido às novas dificuldades e ao atraso acumulado, algumas provas especiais foram canceladas e outras alteradas. A terceira Tarefa Especial era simples: efetuar a maior distância possível na lama, sem utilizar o guincho. Foi vencida pelos Alemães.
A pior Tarefa Especial, para os Range Rover, foi a subida de uma rampa, no menor tempo possível. Aqui, os diferenciais sofreram bastante, tendo 5 veículos partido, pelo menos uma vez, esta importante peça mecânica. O resultado foi a falta de peças de reposição. Mas, com maior ou menor dificuldade, todas as equipes conseguiram reparar as seus carros e puderam continuar em prova.
Perto de Manajary, foi necessário recorrer a umas balsas rudimentares, utilizadas pelos nativos, para atravessar um rio de grande caudal. Um a um, os 21 veículos foram passando, mas o atraso foi bastante grande, uma vez que a balsa demorava 45 minutos para efetuar a viagem de ida e volta.
A medida que seguiam para Sul, a paisagem ia se modificando, tornando-se cada vez mais desértica. O perigo passou a ser as afiadas pedras que encontravam pelo caminho, capazes de causar estragos nos pneus. Ao passar o Cabo de Santa Maria, avistaram-se as praias de Fort Dauphin.
No dia 12 de Abril, deu-se a conclusão oficial da prova, com a
atribuição dos prêmios aos vencedores, na capital
do Madagascar, Antananarivo (também conhecida pelo seu nome Francês
Tananarive). Os acontecimentos registrados durante as Tarefas Especiais provaram que estas foram inadequadas e incorretamente planeadas. Os danos provocados nos veículos (e participantes) e o fato de não possibilitarem um julgamento e avaliação coretos, levaram a que se assistisse a uma “rebelião” dos participantes, durante a última Tarefa Especial. Algumas equipes chegaram a recusar participar na prova. As provas eram decididas ao longo do percurso, não havendo planejamento, preparação ou definição clara das regras. Devido a estes incidentes, as provas seguintes foram planeadas, predefinidas e regulamentadas pelos organizadores do evento.
(conteúdo baseado em dados coletados em: Camel Trophy Owners Club; CamelTrophy.es, cameltrophyportugal.com; camel-trophy.nl e publicações da época.) © 2007 Camel Trophy Brasil
|